INTEGRAÇÃO DE SURDOS ATRAVÉS DA LIBRAS

Posted in Sem-categoria on maio 30, 2008 by cristianemodesto

 Existem no Brasil 5,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, segundo o Censo realizado no ano 2000, pelo IBGE. Mas apesar dos indicativos numéricos, essas pessoas continuam sendo esquecidas por boa parte da população e dos governantes, e excluídas do processo de aprendizagem e do mercado de trabalho.
Um bom começo para a abrangência dos surdos de forma eficaz é a inclusão da Linguagem Brasileira de Sinais, LIBRAS, através de Decreto nº. 5.626, de 22 de Dezembro de 2005, como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia.
A LIBRAS, é a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com essa comunidade. Como língua, esta é composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática semântica, pragmática sintaxe e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerada instrumental lingüístico de poder e força.
Os estudos realizados em indivíduos surdos demonstram que a língua de sinais apresenta uma organização neural semelhante á língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas.
A Linguagem Brasileira de Sinais é regulamentada pela Lei nº. 10.436, de 24 de abril de 2002, que reconhece como meio legal e de comunicação e expressão a LIBRAS. Mas, no entanto, a aplicabilidade da Lei, ainda não pode ser percebida no cotidiano dos surdos.
Joás Menezes, 28 anos, almoxarife, é uma exceção á regra, surdo em decorrência da rubéola, contraída por sua mãe durante a sua gestação, conseguiu estudar em escolas regulares, e mais tarde um emprego. Mesmo enfrentando dificuldades, conseguiu superar o preconceito e os obstáculos que um surdo enfrenta para concretizar os seus objetivos. Sua maior incentivadora, Dona Enice Menezes, não aceitava que o filho utilizasse sinais para comunicar-se, e por isso o alfabetizou, e oralizou, lhe ensinou a ler os lábios e a falar. Enice deixou de trabalhar para auxiliar o filho. Após ser alfabetizado, ele passou a estudar em escolas em tempo integral, e ter acompanhamento de uma fonoaudióloga.
Joás estudou em diversos colégios, e em diferentes estados, em decorrência do trabalho de seu pai, que estava sempre viajando. Mas em nenhum dos colégios tinha dificuldades em interagir com os colegas. Chegando a Salvador passou a freqüentar uma escola em que existiam outras pessoas surdas, daí surgiram às dificuldades, por não conhecer a linguagem dos sinais era hostilizado pelos outros surdos. Então passou a freqüentar uma escola especializada, a APADA – Amigos e Pais de Deficientes Auditivos aprendeu a linguagem de sinais, e atualmente ensina LIBRAS para surdos e ouvintes na paróquia de São Paulo no bairro do IAPI.
A idéia de oferecer aulas gratuitamente à comunidade, foi construída a partir do testemunho de um rapaz surdo, que freqüentava a paróquia, e não conseguia compreender a missa e nem interagir com os ouvintes. Então ele sentiu a necessidade de ensinar as pessoas a se comunicarem com ele e com outros surdos. São vinte alunos, em sua maioria ouvintes. Joás acredita que estes serão, posteriormente, multiplicadores e irão ajudar pessoas surdas a participarem das atividades na paróquia e aos ouvintes a compreenderem os surdos.
Jailson Santos, 22 anos, estudante, têm um primo surdo, mas esta não foi a principal motivação para a sua participação no curso. Para ele a linguagem é uma forma de inclusão, e ainda uma oportunidade de conhecer uma nova língua. Carise, 23 anos, estudante, sempre teve interesse em aprender a linguagem dos sinais, pois é surda de um ouvido, e mesmo conseguindo comunicar-se normalmente, acha importante a interação com outros surdos.
 Adriana Menezes, 31anos, professora, aprendeu LIBRAS, inicialmente com os próprios alunos, que eram surdos, quando iniciou,mesmo sem preparo, um estágio na escola Wilson Lins, na qual estudam surdos e ouvintes. Posteriormente aprendeu a linguagem e conseguia integrar os alunos na classe. Mas as professoras que não conheciam a linguagem dos sinais acabavam prejudicando os alunos surdos. Adriana diz que a medida do Governo Federal em formar professores intérpretes, irá contribuir muito para que os colegas de classe ouvintes tenham curiosidade em aprender os sinais, e desta forma irá incentivar a interação entre ouvintes e surdos, o que diminuiria bastante a discriminação.
A Constituição Estadual da Bahia diz que é dever do Estado estimular empresas públicas e privadas a contratar portadores de deficiência. Mas, no entanto não recomendam a contratação de intérpretes nestes locais, para facilitar a comunicação entre os surdos, o contratante e os outros funcionários. E desta forma o surdo fica isolado.
Joás é contratado de uma empresa privada, e não têm dificuldade em interagir e participar das conversas com os colegas, e por isso o seu empregador duvidou de sua surdez, chegando até a investigar a veracidade do fato junto a APADA. O objetivo de Joás agora é concluir o segundo grau, e cursar a faculdade de informática. Ele acredita que mesmo sendo oralizado, enfrentará dificuldades, por que são poucas as instituições de ensino que dispõem de um interprete. Apenas a UFBA e a UNIFACS oferecem esse profissional, e mesmo assim não para todos os cursos. Joás diz que entre os seus muitos amigos e conhecidos surdos, apenas quatro estão freqüentando uma faculdade.

 

O IMPÉRIO DO GROTESCO

Posted in Sem-categoria on maio 30, 2008 by cristianemodesto

A violência é o tema preferido na programação dos veículos de comunicação no Brasil, principalmente na televisão. Os programas sensacionalistas exibem todos os dias a violência urbana como manchete nacional. Basta ligar a televisão, ou ler os jornais e revistas. É troca de tiros, chacinas e violência policial, O caos total é o principal assunto entre as pessoas nas ruas.
A troca de tiros no morro, a guerra entre traficantes, o número de feridos e mortos é sempre mais interessante que o trabalho social realizado com crianças e adultos neste mesmo local. Não é suficiente conviver com a violência nas ruas, é preciso ainda trazê-la para dentro de casa. O que deveria ser um momento dedicado à família, ao entretenimento, transforma-se em filme de terror.
Muitos veículos de comunicação limitam-se em mostrar o que intitulam de “realidade”, mas não se preocupam em mostrar bons exemplos, de conquistas conquistas e superações de comunidades em situação de risco.
Na década de 60 o Brasil deixou de dedicar-se a programas culturais e passou então a produzir outros modelos,a exemplos de programas de auditório para ser efetivamente reconhecido como veículo de massa, e desta forma a televisão passa a ser então um veículo do comércio e da publicidade.
Esses programas acabam por expulsar outros programas de qualidade da programação e das mentes das pessoas, infelizmente o grotesco é a preferência do público e programas culturais vão perdendo desta forma os poucos espaços dedicados a eles.
E a baixaria na televisão não acaba por aí, encabeçando os programas mais assistidos e que têm uma enorme audiência destacaam-se o programa do Ratinho,e o baiano Se Liga Bocão, entre outros que se utilizam do grotesco chocante, da miséria e de situações no mínimo ridículas de pessoas do povo para garantir a audiência.
  Os programas grotescos são líderes de audiência e por isso têm muitos  patrocinadores e investidores, principalmente de anúncios publicitários, por isso têm maior espaço nas emissoras. Mas o maior responsável por esta banalização de bobagens presente na televisão é o público, que em busca de diversão, ou ainda para resolver questões de sua vida pessoal, acabam se identificando e desta forma são atraídos e fisgados. Entretanto os recordes de audiência são mais importantes que a informação e a cultura.

 

13 de Maio: Comemoração e Resistência.

Posted in Sem-categoria on abril 25, 2008 by cristianemodesto

Na escola aprendemos que o 13 de maio é o dia da abolição da escravidão no Brasil, e que foi a princesa Isabel quem promulgou a Lei Áurea que libertou os escravos. Mas essa história que aprendemos no passado,atualemente é vista de maneiras diferentes pelos brasileiros.
Quase não se fala da participação dos negros no processo de abolição no Brasil, da resistência e luta que eles ofereceram e da influência destes no processo abolicionista. No próximo dia 13 de maio de 2008 vão completar 120 anos da existência da Lei áurea no Brasil. Então surge à pergunta temos o que comemorar? O deputado federal Luiz Alberto, do PT da Bahia, é presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, e diz que: “Esse não é um dia de comemoração. Para nós, o 13 de maio é o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. O que significa isso? Esse é um dia que marca a luta dos negros e negras do Brasil contra a desigualdade e a discriminação racial”.
Já para o compositor, escritor e pesquisador Nei Lopes, essas comemorações devem acontecer, sim, “porque há toda uma tradição afro-brasileira ligada à data de 13 de Maio. Não há por que fugir disso”.
O Professor de História, pesquisador e presidente do Instituto de Pesquisa de Culturas Negras, Sebastião Soares abomina qualquer idéia de comemoração dessa data. “Temos, sim, é que denunciar a farsa da Abolição, que não fez a previsão do destino de milhões de pessoas. A princesa assinou a lei, mas se esqueceu de assinar a carteira de trabalho dos ex-escravos. E depois disso? O que comer? Onde morar, trabalhar? Em que escola estudar? Tudo o que acontece hoje no Brasil é reflexo das mazelas decorrentes dessa lei, sem qualquer planejamento”.
Um dos símbolos de resistência contra a escravidão é Zumbi – Alagoano e líder do quilombo dos Palmares e exemplo conhecido por todos, e que teve a data de sua morte 20 de Novembro estabelecido desde 1995 como o Dia da Consciência Negra. Mas aqui na Bahia aconteceram muitos movimentos que também ajudaram na culminação da abolição, e um deles é a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, na cidade de Cachoeira – BA, a irmandade é uma confraria de mulheres negras que tem registros datados de 1820 ainda em Salvador no bairro da Barroquinha, e que mais tarde foram expulsas de Salvador pelo Major Bandeira de Melo, por liderarem um movimento exigindo um cemitério para os negros, pois naquela época os negros não eram aceitos  nos cemitérios de brancos, e quando eram aceitos por influência de seus senhores, eram enterrados em pé.A mulheres da Irmandade criaram então o primeiro cemitério para negros de toda a América Latina , o Cemitério do Rosarinho em Cachoeira.
 As irmãs da Boa Morte eram alforriadas, por serem da confiança de seus senhores, e passaram então a arrecadar dinheiro e vender quitutes para comprar cartas de alforrias para seus irmãos negros ainda escravos. Elas buscaram na religiosidade e na fé em Nossa Senhora da Boa Morte a força para lutar contra a escravidão e formaram o primeiro movimento feminista abolicionista do Brasil.

Festa da Boa Morte promete movimentar o Recôncavo Baiano no mês de agosto

Posted in Sem-categoria on março 28, 2008 by cristianemodesto

 A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, famosa por sua bem preservada arquitetura colonial, se transforma no reduto oficial dos fiéis que participam da Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, que normalmente acontece entre os dias 12 e 17 de agosto. Mesclando o religioso e o profano, moradores e visitantes da região levam para as ruas da cidade um animado cortejo.
O calendário da festa inclui missas, procissões, samba de roda, confissão na Igreja Matriz e um cortejo representando o falecimento de Nossa Senhora, seguido de ceia branca composta de pão, vinhos e frutos do mar, obedecendo a costumes religiosos que proíbem o uso de dendê e carne no dia dedicado a Oxalá. O festejo inclui ainda procissão do enterro de Nossa Senhora da Boa Morte e serve caruru ao som de samba de roda.

IRMANDADE DA BOA MORTE

Posted in Sem-categoria on março 6, 2008 by cristianemodesto

MULHERES DA IRMANDADE

 A Cidade baiana de Cachoeira preserva em suas ruas uma das manifestações mais ricas do País: a festa de nossa Senhora da Boa Morte. Realizada no mês de agosto é bem mais que uma simples comemoração, é um convite a cultura, tradição e história. Participar dessa cerimônia é mergulhar no passado e reviver os tempos do Brasil colonial, do Império e do País independente, mas ainda escravocrata.

 A irmandade é uma organização de mulheres negras que à sua moda resistiu e se rebelou contra os sofrimentos impostos pelo regime escravagista, e pode ter sido um dos primeiros movimentos feministas do Brasil. Desde 1820, as irmãs se mantêm fiéis na devoção a Nossa Senhora. Anualmente, realizam a festa de Cachoeira, cumprindo uma promessa feita por suas ancestrais nos tempos da escravidão. Passados quase 200 anos de sua criação, ainda se mantém ativa e fechada – somente participam dela as descendentes de escravas com mais de 40 anos.

Ainda hoje a cerimônia preserva seus traços característicos, marcados pela memória do sofrimento dos escravos para alcançar a liberdade. Segundo os pesquisadores, é exatamente este o significado da celebração – o agradecimento a Nossa Senhora pela liberdade conseguida com muito sacrifício, com a realização de várias cerimônias, culminando com a assunção da mãe de Jesus. A programação da festa de Nossa Senhora de Boa Morte inclui a confissão na Igreja Matriz, um cortejo representando a morte de Nossa Senhora, uma vigília, ceia e uma procissão do enterro da santa. Depois, é celebrada a ascensão de Nossa Senhora, seguida de procissão e de uma missa na Igreja Matriz da cidade.