INTEGRAÇÃO DE SURDOS ATRAVÉS DA LIBRAS

 Existem no Brasil 5,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, segundo o Censo realizado no ano 2000, pelo IBGE. Mas apesar dos indicativos numéricos, essas pessoas continuam sendo esquecidas por boa parte da população e dos governantes, e excluídas do processo de aprendizagem e do mercado de trabalho.
Um bom começo para a abrangência dos surdos de forma eficaz é a inclusão da Linguagem Brasileira de Sinais, LIBRAS, através de Decreto nº. 5.626, de 22 de Dezembro de 2005, como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia.
A LIBRAS, é a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com essa comunidade. Como língua, esta é composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática semântica, pragmática sintaxe e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerada instrumental lingüístico de poder e força.
Os estudos realizados em indivíduos surdos demonstram que a língua de sinais apresenta uma organização neural semelhante á língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas.
A Linguagem Brasileira de Sinais é regulamentada pela Lei nº. 10.436, de 24 de abril de 2002, que reconhece como meio legal e de comunicação e expressão a LIBRAS. Mas, no entanto, a aplicabilidade da Lei, ainda não pode ser percebida no cotidiano dos surdos.
Joás Menezes, 28 anos, almoxarife, é uma exceção á regra, surdo em decorrência da rubéola, contraída por sua mãe durante a sua gestação, conseguiu estudar em escolas regulares, e mais tarde um emprego. Mesmo enfrentando dificuldades, conseguiu superar o preconceito e os obstáculos que um surdo enfrenta para concretizar os seus objetivos. Sua maior incentivadora, Dona Enice Menezes, não aceitava que o filho utilizasse sinais para comunicar-se, e por isso o alfabetizou, e oralizou, lhe ensinou a ler os lábios e a falar. Enice deixou de trabalhar para auxiliar o filho. Após ser alfabetizado, ele passou a estudar em escolas em tempo integral, e ter acompanhamento de uma fonoaudióloga.
Joás estudou em diversos colégios, e em diferentes estados, em decorrência do trabalho de seu pai, que estava sempre viajando. Mas em nenhum dos colégios tinha dificuldades em interagir com os colegas. Chegando a Salvador passou a freqüentar uma escola em que existiam outras pessoas surdas, daí surgiram às dificuldades, por não conhecer a linguagem dos sinais era hostilizado pelos outros surdos. Então passou a freqüentar uma escola especializada, a APADA – Amigos e Pais de Deficientes Auditivos aprendeu a linguagem de sinais, e atualmente ensina LIBRAS para surdos e ouvintes na paróquia de São Paulo no bairro do IAPI.
A idéia de oferecer aulas gratuitamente à comunidade, foi construída a partir do testemunho de um rapaz surdo, que freqüentava a paróquia, e não conseguia compreender a missa e nem interagir com os ouvintes. Então ele sentiu a necessidade de ensinar as pessoas a se comunicarem com ele e com outros surdos. São vinte alunos, em sua maioria ouvintes. Joás acredita que estes serão, posteriormente, multiplicadores e irão ajudar pessoas surdas a participarem das atividades na paróquia e aos ouvintes a compreenderem os surdos.
Jailson Santos, 22 anos, estudante, têm um primo surdo, mas esta não foi a principal motivação para a sua participação no curso. Para ele a linguagem é uma forma de inclusão, e ainda uma oportunidade de conhecer uma nova língua. Carise, 23 anos, estudante, sempre teve interesse em aprender a linguagem dos sinais, pois é surda de um ouvido, e mesmo conseguindo comunicar-se normalmente, acha importante a interação com outros surdos.
 Adriana Menezes, 31anos, professora, aprendeu LIBRAS, inicialmente com os próprios alunos, que eram surdos, quando iniciou,mesmo sem preparo, um estágio na escola Wilson Lins, na qual estudam surdos e ouvintes. Posteriormente aprendeu a linguagem e conseguia integrar os alunos na classe. Mas as professoras que não conheciam a linguagem dos sinais acabavam prejudicando os alunos surdos. Adriana diz que a medida do Governo Federal em formar professores intérpretes, irá contribuir muito para que os colegas de classe ouvintes tenham curiosidade em aprender os sinais, e desta forma irá incentivar a interação entre ouvintes e surdos, o que diminuiria bastante a discriminação.
A Constituição Estadual da Bahia diz que é dever do Estado estimular empresas públicas e privadas a contratar portadores de deficiência. Mas, no entanto não recomendam a contratação de intérpretes nestes locais, para facilitar a comunicação entre os surdos, o contratante e os outros funcionários. E desta forma o surdo fica isolado.
Joás é contratado de uma empresa privada, e não têm dificuldade em interagir e participar das conversas com os colegas, e por isso o seu empregador duvidou de sua surdez, chegando até a investigar a veracidade do fato junto a APADA. O objetivo de Joás agora é concluir o segundo grau, e cursar a faculdade de informática. Ele acredita que mesmo sendo oralizado, enfrentará dificuldades, por que são poucas as instituições de ensino que dispõem de um interprete. Apenas a UFBA e a UNIFACS oferecem esse profissional, e mesmo assim não para todos os cursos. Joás diz que entre os seus muitos amigos e conhecidos surdos, apenas quatro estão freqüentando uma faculdade.

 

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3 Respostas to “INTEGRAÇÃO DE SURDOS ATRAVÉS DA LIBRAS”

  1. Karla Souza Says:

    Olá!

    Quero deixar registrado que arde em meu coração o desejo de melhorar a cada dia o meu pouco conhecimento em libras, sou Assistente Social e se um dia eu tiver que ministrar aula será somente para surdos, tenho um amor especial por eles. Tenho me renunciado para esta aprendendo mais e mais. Deus abençoe vc e a cada um que se empenha em compreender o próximo.

    shallom , shallom

  2. oi td bem? boa tarde favor desculpe eu só uma estou casa meu marcio surdo pode deixe pra amigo vc bom eu quero convresa fala como tem muito mais surdos amigos todo abraço xauuuuu

  3. Linguagem NAO!!

    LÍNGUA!!!

    A sociedade precisa aprender de uma vez por todas que a LIBRAS é Lïngua brasileira de sinais! LINGUA!!!

    Tratar a LIBRAS como linguagem é um desrespeito!!!! São vinte anos de luta! Vc mesma conhece a Lei.

    Valorização da LIBRAS já!

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